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Indústria de alimentos descumpre acordo de redução de sódio, mostra teste do Idec

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Borg
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Indústria de alimentos descumpre acordo de redução de sódio, mostra teste do Idec

Mensagem por Borg em Dom Out 19, 2014 2:15 pm

Dos 291 produtos avaliados, 32 não se adequaram às metas firmadas com o governo para diminuir a quantidade da substância que, se consumida em excesso, prejudica a saúde

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RIO - Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostra que fabricantes de alimentos estão descumprindo o acordo para redução de sódio firmado com o governo em 2011. Dos 291 produtos avaliados, 32 deles, o equivalente a 11% do total, possuem mais sódio do que o teto estabelecido. São macarrões instantâneos, pães de forma, bolos, biscoitos e temperos das marcas Adria, Nissin, Renata, Vigor, Jabal Sanin, Nutrella, Casa Suíça, Pullman, Mabel, Marilan, Parmalat, Piraquê, Nestlé, Bauducco, Pringles, Qualitá, Hikari, Sabor Ami, Maggi, Arisco, Kitano, Sazon e Knorr. Veja a lista completa dos produtos que desrespeitam a meta aqui. A diferença entre o valor acordado e o presente no alimento pode ultrapassar os 80%, como é o caso de dois biscoitos da marca Mabel e da batata Pringles.

O Plano Nacional para Redução do Consumo de Sal foi elaborado pelo Ministério da Saúde em 2011, e prevê a redução voluntária de níveis de sódio processados em alimentos vendidos em restaurantes e supermercados. O objetivo é aumentar a oferta de alimentos saudáveis. Apesar de o sal de cozinha ser a principal fonte de consumo de sódio, a presença dele nos alimentos industrializados vem crescendo e preocupando autoridades em saúde, ressalta Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec. O acordo foi firmado com as Associações Brasileiras das Indústrias de Alimentos (Abia), de Massas Alimentícias (Abima), de Trigo (Abitrigo) e de Panificação e Confeitaria (Abip).

- Embora os acordos não sejam obrigatórios, a expectativa do Idec era de que todos os produtos tivessem atingido as metas estabelecidas, já que são brandas, muito próximas à quantidade já presente da substância nesses alimentos. Outro agravante, é que o acordo, por ser voluntário, não prevê punição às empresas que o desrespeitam, apesar de ser responsabilidade do Ministério da Saúde e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância em Saúde) monitorar o cumprimeito - analisa Ana Paula.

A Organização Mundial de Saúde recomenda a ingestão de, no máximo, 2g de sódio por dia, mas a média de consumo do brasileiro é o dobro disso.

- O sódio está atrelado à regulação da pressão sanguínea. E se consumido em excesso, sobrecarrega as funções do sistema circulatório, causando problemas renais e cardiovasculares - explica Ana Paula.

Àqueles que têm dificuldades de viver com pouco sal, a nutricionista orienta que o substituam, na preparação dos alimentos, por ervas como manjericão, pimenta e alecrim:

- É tudo uma questão de reeducação, pois o paladar se acostuma.

Abia e Ministério da Saúde foram procurados pelo GLOBO para comentar sobre o assunto, mas não retornaram os contatos.

Metas estão acima do já praticado pela indústria, diz IDEC

Desde 2011 o Idec monitora o acordo e critica as metas estabelecidas pelo governo, por serem pouco ambiciosas. Quatro pesquisas realizadas pelo instituto ao longo desse período constataram que grande parte dos produtos já possuía, antes do acordo, menos sódio do que o indicado nos termos de compromisso. Ou seja, não precisaram realizar mudança alguma em suas fórmulas, pois já estavam adequados.

Para fazer o teste este ano, o Idec levou a laboratório, entre março e abril, 291 alimentos que aderiram ao acordo, para verificar a quantidade de sódio presente em cada um deles.

O que dizem as empresas

A Nissin informou que já realizou ajustes em suas formulações para adequar os produtos ao termo de compromisso. Disse, ainda, ter realizado sete análises do produto macarrão instantâneo sabor galinha caipira, citado nesta avaliação, em períodos distintos e em diferentes laboratórios, e que todos os resultados apresentaram-se dentro dos padrões estabelecidos. A Vigor garante que o macarrão instantâneo sabor galinha tem teor de sódio dentro da meta estabelecida, e que a empresa está adequando a rotulagem de acordo com as informações nutricionais dos produtos.

A Pandurata, fabricante dos produtos Bauducco, informa que a descrição e dados disponibilizados na pesquisa do Idec referem-se ao biscoito amanteigado "Biscoito sabor leite com gotas sabor chocolate", categoria que não faz parte do acordo firmado em relação às metas de redução de sódio, que se restringe apenas à categoria de recheados. A Piraquê informou que todos os resultados já foram reformulados e encontram-se dentro dos parâmetros acordados. A Nestlé, que produz Maggi e Negresco, garante que os produtos citados na análise atendem às especificações expressas no acordo. A Qualitá informou que todos os seus produtos são devidamente analisados e aprovados sob a ótica das leis que regem a produção e a oferta de alimentos. Informou, porém, que não é signatária do acordo voluntário mencionado pela pesquisa.

A Marilan diz que desde maio o biscoito Maria apresenta resultado dentro da nova meta para 2014 (359mg/100g). A Hikari informa que os valores declarados no rótulo estão dentro da meta de redução, de acordo com variação permitida por lei. A Ajinomoto, detentora das marcas Sabor Ami e Sazon, reconheceu que os produtos não atendem à meta do acordo. No entanto, disse que, de acordo com a legislação sanitária, que permite a variação de 20% com relação aos valores de nutrientes declarados no rótulo, está adequada. A PepsiCo, detentora da Mabel, informou que dos 14 produtos analisados da companhia, dez já atingiam as metas de redução de sódio estabelecidas no acordo, e somente quatro produtos não estavam em consonância à época das análises realizadas pelo instituto. "Desde então, estes quatro produtos já conseguiram atender à primeira fase de redução",complementou em nota.

A Unilever, detentora das marcas Arisco e Knorr, esclarece que o tempero Meu Arroz Tradicional já passou por reformulação e, até o início de 2015, estará disponível em conformidade com a meta de 2013. Com relação ao caldo de galinho da marca Arisco, a Unilever esclarece que o produto atende à meta estabelecida no acordo. A Selmi, detentora da marca Renata, disse que, a partir dos valores apresentados pelo teste, realizou, em dois laboratórios certificados pela Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde, análise técnica dos produtos mencionados. “Essas avaliações foram realizadas em produtos do mesmo lote analisado pelo Idec, e constataram que os resultados obtidos demonstram o teor sódico abaixo do rotulado atualmente, invalidando os valores divulgados pelo instituto. A General Mills, detentora da marca Kitano, informou que seus produtos atendem à legislação vigente e que, embora não seja associada às entidades que firmaram acordo com o governo, optou por reduzir o teor de sódio do referido produto e, desta maneira, "fará a adequação para mantê-lo dentro dos níveis estabelecidos no acordo."

Adria, Nutrella, Casa Suíça, Pullman e Pringles não retornaram os contatos do GLOBO. As fabricantes do pão de forma Jabal Sanin e dos biscoitos Parmalat não foram encontradas para comentar os resultados da pesquisa. A assessoria desta última informou que a divisão biscoitos não é de sua responsabilidade, mas não soube informar o contato.

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Na boa.... sensacionalismo é isso aí...

Quase 90% de êxito nos produtos e por conta de pouco mais de 10%, nego solta uma matéria dizendo que todo um segmento não está cumprindo o acordo... VSF !!!

Se essas pessoas tivessem a mínima noção da dificuldade que é substituir o sal nos alimentos sem que ele deixe de ser sensorialmente competitivo...  O Sal é um dos ingredientes mais reativos que existem, ele reage no alimento praticamente o tempo todo... quando retiramos o sal, o alimento fica com um sensorial completamente diferente, na maioria das vezes, para pior. A indústria quer SIM cumprir o acordo, mas sem ter que sacrificar mão-de-obra treinada e milhões em investimentos sociais... pq se o produto sem sal não cair no gosto da população, ela simplesmente deixa de comprar. A indústria sofre prejuízos, começa a cortar programas internos, investimentos e processos não-essenciais.. até chegar ao corte de pessoal pra deixar a folha de pagamento ajustada aos novos tempos...  o governo não pensa nisso quando pede pra indústria piorar o gosto dos alimentos... aliás, o governo não pensa em nada de maneira mais ampla, está só preocupado em ficar bem na mídia internacional. Se dessem incentivos fiscais para as indústrias que colaborassem com o acordo, certamente esses pouco mais de 10% estariam reduzidos pela metade ou ainda menos.

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